Os benefícios do consumo de peixe vão muito além do ômega-3. Trata-se de um alimento estratégico para a saúde cardiovascular, cerebral e metabólica, mas que ainda é cercado por mitos que afastam muitas pessoas do consumo regular.
Apesar de ser um dos alimentos mais estudados do mundo, o peixe ainda é pouco consumido no Brasil. Medo de contaminação, percepção de alto custo, dificuldade de preparo e confusão entre peixe fresco, congelado e enlatado contribuem para o baixo consumo de um alimento com impacto direto na saúde cardiovascular, metabólica e cerebral.
Aqui não há romantização nem demonização. Há ciência aplicada à vida real.
1. Por que o peixe é um alimento-chave na nutrição moderna
O peixe é fonte de proteína de alto valor biológico, com excelente digestibilidade e menor impacto inflamatório quando comparado a carnes vermelhas. Além disso, concentra nutrientes críticos para a saúde contemporânea, como EPA e DHA (ômega-3), vitamina D, vitamina B12, iodo e selênio.
O consumo regular de peixe está associado à redução do risco cardiovascular, melhora da função cognitiva, menor inflamação sistêmica e melhor resposta metabólica, conforme diretrizes internacionais de saúde, como as da Organização Mundial da Saúde.
Nos últimos anos, o interesse pelos benefícios do consumo de peixe aumentou justamente pelas evidências científicas que associam seu consumo regular à melhora do perfil lipídico, à proteção cerebral e ao controle de processos inflamatórios. Ainda assim, muitas pessoas deixam de consumir peixe por falta de informação prática e orientação adequada.
Não estamos falando de superalimento. Estamos falando de fisiologia.
2. Peixe fresco é melhor? Depende.
Peixe fresco é uma excelente opção, mas não é automaticamente superior em todos os contextos. A qualidade nutricional e sanitária depende da cadeia de frio, do tempo de transporte e da manipulação ao longo do processo.
Um peixe rotulado como “fresco”, mas mal armazenado, pode ser nutricionalmente inferior a um peixe congelado corretamente.
Pontos-chave:
– Frescor não é sinônimo de segurança
– Frescor não garante, por si só, melhor valor nutricional
Saber escolher é mais importante do que idealizar.
3. Peixe congelado e enlatado: o que muda de verdade
O congelamento adequado preserva proteínas e lipídios de forma eficiente. Já os peixes enlatados mantêm alto teor proteico e parte relevante do ômega-3, com vantagens importantes em termos de praticidade, custo e acesso.
O cuidado necessário é técnico: avaliar o teor de sódio, o tipo de óleo utilizado e a porção efetivamente consumida. O alimento continua sendo peixe — ele não perde valor nutricional apenas por estar na lata.
Além disso, órgãos reguladores como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária monitoram rigorosamente os padrões de segurança alimentar das conservas comercializadas no Brasil.
4. E o medo do mercúrio?
O mercúrio está presente no ambiente marinho, mas o risco associado ao consumo de peixe é frequentemente exagerado. A maior preocupação envolve o consumo frequente de grandes peixes predadores, e não o consumo moderado e variado de pescado.
Para a população geral, os benefícios do consumo regular de peixe superam amplamente os riscos. Medo sem contexto afasta as pessoas de um alimento reconhecidamente protetor.
5. Quanto e com que frequência consumir peixe
Apesar dos comprovados benefícios do consumo de peixe, o Brasil ainda apresenta um consumo abaixo do recomendado. Fatores culturais, dificuldade no preparo, custo percebido e receio de contaminação ajudam a explicar esse cenário.
Também persiste a falsa ideia de que apenas o peixe fresco é saudável, o que limita o acesso a opções congeladas e enlatadas, que são seguras, nutritivas e mais acessíveis. Quando bem escolhidos, esses produtos facilitam o aumento da frequência de consumo sem prejuízo nutricional.
Do ponto de vista da nutrição clínica, ampliar o consumo de peixe é uma estratégia eficaz para melhorar a ingestão de proteínas de alto valor biológico e gorduras com efeito anti-inflamatório, especialmente em populações com baixo consumo de alimentos marinhos.
A recomendação prática é consumir peixe de duas a três vezes por semana, variando as espécies e as formas de preparo. Não precisa ser perfeito; precisa ser consistente.
Nutrição funciona no médio prazo, não na exceção.



